Assessoria Astrológica Personalizada

Significado da vida e evolução do ser humano

Desde tempos imemoriais o ser humano se inquieta com a duração tão efêmera de uma vida – e pôde observar que os fenômenos que se desenrolam na esfera celeste demonstram a existência de entidades que parecem ter duração muito maior, o que permitiu aos antigos respeitar os astros visíveis como ‘deuses’. Muitos séculos antes de Cristo diversas civilizações encararam e viveram essa questão tão palpitante de muitas maneiras, os egípcios se destacando com seus processos de mumificação dos corpos e suas pirâmides para guardá-los; os gregos introduziram a palavra ‘psyché’, ou psique, que veio a ser interpretada também de formas variadas, evoluindo através dos séculos, tanto entre eles quanto na civilização ocidental posterior.

Em civilizações mais ao leste, como a japonesa, a chinesa e a indiana, as questões referentes ao significado da vida e possível evolução do ser humano parecem ter tido um tratamento mais para o lado de aceitarem a questão da evolução – vinculada com a da reencarnação — como ‘fazendo parte’ da vida. Entretanto, podemos dizer que as nossas crenças se fundamentaram mais nas dos gregos e depois dos romanos…

Fazendo aqui uma espécie de parêntese na seqüência do raciocínio, ponderamos que Junito Brandão, em seu ‘Dicionário Mítico-Etimológico’ (pág. 278), expressa que “a palavra grega daimon… que, através do latim eclesiástico daemoniu(m), nos deu demônio, procede do verbo daiesthai, ‘repartir, dividir’… Só a partir do latim cristão é que ‘demônio’ passou a significar ‘espírito maligno, diabo, satanás.’” Desse mesmo ponto de vista, o DIABO (raiz diabolu) pode ser visto como um estado em que aconteceu uma divisão do ser, que passou a encarar o bem e o mal como coisas separadas e de certa forma exteriores ao ser. Isso não faz lembrar a ‘Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal’, que o Adão original não deveria ‘conhecer’? Ou seja, a ‘história da maçã’ parece uma fantasia, que o Catolicismo quis vincular à sexualidade mal reprimida em diversas épocas da história… As pessoas foram perdendo a noção do ser e da realidade do todo, passando a ver o mal como algo exterior a ser evitado e o bem, a ser conquistado, através de atos.

Para os gregos, a psyché não era propriamente a alma como a vemos hoje, mas correspondia sim a uma espécie de entidade que sobrepassava a morte do corpo físico. E, para eles, a imortalidade não era como a vemos hoje, uma existência após a morte, sem fim. Junito Brandão, na obra supracitada, no verbete “imortalidade”, só fala em imortalidade dos deuses…

Com o advento do Cristianismo, a transposição que se fez das crenças dos egípcios e gregos já perdeu bastante em relação ao que se havia ‘incorporado’ como aceitável. Entretanto, com o predomínio posterior do Catolicismo, ao longo de séculos de dominação religiosa, as crenças – e as traduções dos textos bíblicos – foram sendo adaptadas para servirem aos interesses prevalecentes.

Nossas sociedades das Américas, — em particular as da América do Sul, — foram ainda mais prejudicadas pelas cisões que aconteceram na Idade Média e após a mesma, quando os ‘descobrimentos’ e colonizações se difundiram; e nós brasileiros fomos colonizados basicamente por portugueses e espanhóis, que já seguiam um Catolicismo deturpado. Por diversas razões, inclusive essas ligadas às cisões, passaram a conviver dois níveis de crenças envolvendo o Misticismo = as exotéricas e as esotéricas. As exotéricas são exteriores, destinadas aos não-iniciados, e as esotéricas são (e eram) destinadas aos iniciados nos (grandes) mistérios. Assim é que, durante muitos séculos, até as igrejas católicas tinham setores demarcados para as classes religiosas e para as não-religiosas, aqui incluído o povo.

É interessante observar também que durante esses muitos séculos os religiosos se arrogaram o direito de conservar o proteger o conhecimento esotérico. Foi assim com os templários, e tem sido assim com os monges beneditinos, dentre outros exemplos; há controvérsias sobre a atuação dos templários nos descobrimentos que vieram a ocorrer posteriormente à sua dissolução como ordem monástica. Sabe-se, porém, que eles foram perseguidos e supostamente o poder reinante ‘tomou posse’ de muitos de seus conhecimentos (lá pelos idos de 1307 d.C., data convencionada).

Com o passar dos séculos, o Catolicismo deturpou questões marcantes, como as da culpa, do sofrimento, da ‘salvação da alma’, do maniqueísmo (bem x mal) e passou a pregar a negação da reencarnação. Segundo muitos estudiosos, o Cristianismo, em sua origem, tinha e transmitia tais verdades de maneira menos focalizada, sendo que a reencarnação aparentemente era aceita como uma delas. Parece que foi interessante, para as mentes deturpadas da Idade Média, fazer o povo acreditar que quanto mais sofrimento atingisse as pessoas, mais elas ‘se capacitariam a ganhar o Céu’. Como o contato com os níveis mais sutis da realidade requer um nível mais sutil (mais puro) de quem os busca, ao longo do tempo foi havendo uma dicotomia cada vez maior entre o exotérico e o esotérico.

Assim sendo, pode-se expressar que os ensinamentos esotéricos foram sendo escondidos dos não-iniciados, daqueles que não os merecessem (embora nem sempre houvesse avaliação justa a respeito). Só mais recentemente, no fim do século XIX e início do XX, tivemos um refluxo do interesse pelo (e menos ‘controle’ do) esotérico, com o reaparecimento por exemplo da Teosofia e do chamado Quarto Caminho, além de um novo desabrochar de conhecimentos como o da Alquimia, da Astrologia, da Cabala e do Tarô, sem nos esquecermos, é claro, da Psicanálise, e depois da Psicologia, que surgiram com o século passado e tiveram as enormes contribuições (respectivamente) de Sigmund Freud e Carl G. Jung.

Apesar da dicotomia e dos descompassos entre o exotérico e o esotérico, pode-se dizer que ao longo dos séculos a maior parte dos seres humanos se habituou a aceitar que o Universo teve uma origem ‘divina’ e que esses seres têm uma ‘centelha’ do Divino dentro de si, o que implica uma possível evolução dessa centelha (retorno ao Divino). Assim, a efemeridade da vida de um ser humano isolado adquiriu um significado maior do que seus atos ou realizações, o exercício do poder etc., ao longo de uma única existência.

Em decorrência, a noção de alma, como ligação entre o Espírito e o corpo físico, tem tido muitas interpretações, ao longo do tempo e pelas diversas religiões estabelecidas. Tentando juntar mais ou menos o que se estuda nos ‘sistemas’ mais conhecidos, consideramos que podemos falar em Espírito, alma e corpo (físico), sendo o Espírito pré-existente e portanto ‘eterno’, a alma (em latim ‘anima’) tendo sido criada pelo Espírito para ‘animar’ tal corpo, sua força vital. Daí a se considerar que a alma pode evoluir, é uma convicção que dividimos com boa parte da humanidade atual, como se só essa possibilidade desse significado e sentido à nossa vida….

Mas essa noção e convicção da ‘origem no’ e ‘volta ao’ Divino só tem sentido se vinculada à noção de que o Espírito, por ser originalmente não manifestado, ao ‘aceitar’ a manifestação, impregnou-a de uma ‘fome do divino’, que em nós seres humanos é sentida como uma insatisfação interior – que no meio psicológico se convencionou chamar de ‘angústia vital’, — a qual subjaz em nossos seres interiores e em nossas vidas, qualquer que seja a realização no nível material –, enquanto não atingirmos um nível de realização interior compatível com aquela origem.

Como um fenômeno que nos diz respeito especialmente, expressamos a opinião de que nós, no Terceiro Mundo, fomos prejudicados pela amálgama cultural que se cristalizou com predominância de valores materiais e religiosos equivocados, de forma que no nosso meio a dificuldade de acesso ao esotérico é muito maior, conquanto não impossível; ou seja, estamos vivendo uma condição de banalização da religião (no sentido original de “religação”), à qual temos de reagir por opção individual e com bastante empenho. É claro que, como resultado dessa situação, no mundo ocidental temos visto, cada vez mais, um interesse pelo lado material da vida, razão pela qual também se verifica a grande incidência atual de doenças vinculadas com o coração e outras, que refletem a falta de sintonia do homem moderno com seu centro, seu ser interior e sua evolução possível.

Para discorrermos sobre a questão da ‘angústia vital’ e da necessidade intrínseca ao ser humano, de buscar uma transcendência, recorremos ao livro “Os demônios de Loudun”, em cujo anexo o autor Aldous Huxley expressa:

“Sem a compreensão do desejo profundo que têm os seres humanos de se autotranscenderem, da relutância natural que experimentam em tomar o caminho duro e difícil da ascensão espiritual, e da conseqüente procura de uma falsa libertação, ou abaixo ou sob um aspecto de sua personalidade, não poderemos entender a época em que vivemos ou mesmo a História em geral, a vida como foi vivida no passado e como o é em nossos dias.” É facilmente reconhecível que o anseio de autotranscendência é tão forte quanto a necessidade de auto-afirmação. O ser humano sente uma necessidade de ultrapassar os limites do pequeno universo isolado dentro do qual se descobre confinado; e isso acontece, mesmo entre aqueles mais afortunados financeira e materialmente.

E então, se experimentamos essa necessidade, é porque algo em nós sabe quem realmente somos; e percebe a possibilidade de o eu consciente transcender a si mesmo e ao seu universo de desejos insaciáveis.

Entretanto, a única autotranscendência libertadora é através da união com o Self; mas logo se descobre que é muito difícil de ser atingida — e para aqueles que não conseguem se dedicar bastante a ela, existem alternativas menos árduas: na maioria dos casos é uma fuga, ou em sentido descendente, ou horizontalmente, para algo mais amplo que o ego (e, no entanto, não mais elevado). Qualquer fuga para fora da individualidade insulada pode propiciar percepções momentâneas do não-eu em diversos níveis, em que alguns períodos de êxtase subumano são alternados por períodos de individualidade consciente tão miserável que qualquer recurso extremo, como o suicídio lento das drogas, parece preferível. E atualmente se reconhece que o que é verdade quanto às drogas também se aplica à sexualidade primária e à intoxicação das massas.

Não obstante, de um ponto de vista mais abrangente (e exotérico) a autotranscendência horizontal é da maior importância, pois, através da identificação com uma causa ou uma atividade que possibilite escapar do horror do eu insulado, muitas pessoas se expressam através da arte, da ciência, de uma atividade profissional qualquer ou de um casamento por amor; mas também se expressam através da intolerância e das perseguições, que muitas vezes levam a guerras. Paralelamente, se a auto-identificação com o que é humano não é acompanhada por um esforço consciente e congruente, visando a atingir a autotranscendência ascendente, os bens alcançados estarão sempre misturados a males que os contrabalançam – e uma insatisfação interior permeia o indivíduo.

Então, o que falta ao ser humano, atualmente, é perceber que não poderemos ter o bem sem o mal, enquanto nossa autotranscendência permanecer apenas horizontal. Enquanto isso, insistimos, cabe a cada indivíduo a busca em si mesmo do reencontro com seu ser interior e a religação com o Self. Esse reencontro, salientamos, não precisa ser através de uma crença ou religião estabelecida, mas sim e sobretudo através de uma mudança de foco em relação às prioridades de sua vida e do concernimento com um novo modo de ser.

Marco Aurélio Teixeira Fernandes

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