Assessoria Astrológica Personalizada

Os ciclos na Astrologia – Primeira parte

1. Introdução

A análise da personalidade de alguém, através da Astrologia, pode ser feita incluindo não só o chamado mapa astral (ou natal), mas também as progressões, a revolução solar (ou retorno solar, a cada ano, quando o Sol ‘volta’ ao mesmo ponto do nascimento) e os trânsitos.

Quando faço alguma análise, costumo estudar o mapa natal, mais a progressão chamada ‘por arco solar’ e os trânsitos, separadamente e em conjunto. As progressões representam analogias simbólicas, sendo que nas secundárias um dia após o nascimento corresponde a um ano de vida, e naquelas ‘por arco solar’, um grau percorrido pelo Sol é considerado para todos os corpos celestes, também valendo cada grau, para um ano de vida; só que neste último método, é claro que o percurso simbólico dos corpos é mais ‘rápido’ do que no outro método. Em qualquer um dos métodos, considera-se que há uma dinâmica energética “interna” à personalidade do analisando. Já os trânsitos correspondem ao percurso dos corpos celestes, “sobre” (comparado com) o mapa natal, representando portanto as energias externas, como elas estão no momento da análise.

O que considero como ciclos na Astrologia são resultantes dos trânsitos dos corpos celestes. Há diversos ciclos que podem ser identificados, dentre os quais, aqueles vinculados aos planetas e que são mais utilizados: os de Júpiter, Saturno e Urano; tais ciclos têm a ver com a órbita desses planetas (uma volta completa no Zodíaco, por parte de cada um deles), sendo aproximadamente, o de Júpiter de 12 anos, o de Saturno de 29,5 anos e o de Urano de 82 anos.

Para quem estuda ou analisa progressões, o ciclo da Lua também é importante, porque sua volta em torno da Terra é de 29,5 dias (em média), e na progressão secundária (v. acima) esse ciclo coincide com o de Saturno citado no item anterior (trânsito); e é muito bom associar a análise da Lua progredida com Saturno em trânsito, porque os dois têm a ver com o passado, além de outros significados importantes. Entretanto, este ciclo da Lua está fora do escopo deste artigo.

Mas tem me chamado a atenção, também, o fato de que podemos estudar determinados ciclos parciais, representados pelos percursos dos planetas (trânsitos) ao longo de trechos do mapa natal, e associados (comparados com) a esse mapa natal. Assim sendo, verifica-se facilmente que quem atinge 60 anos tem dois “retornos” de Saturno, e que o retorno de Urano se dá uma vez só (de 80 a 82 anos). Já um ciclo completo de Netuno requer em torno de 165 anos e o de Plutão, em torno de 245 anos; assim sendo, ninguém tem retorno destes dois últimos planetas numa existência neste planeta.

Então, considero interessante analisar os ciclos parciais representados por Netuno e Plutão. Esclarecendo melhor, se considerarmos uma existência humana de 80 anos, a pessoa não chegará a ter a oposição de nenhum desses dois planetas, mas tem a oportunidade de viver uma quadratura e um trígono, de cada um deles.

No caso de Netuno, como ele demora cerca de 14 anos para percorrer cada signo, uma pessoa que viver 80 anos viverá seu trânsito, aqui no Brasil, provavelmente em 5 ou 6 Casas (setores), ou seja, “percorrendo” no máximo metade do seu mapa natal; já no caso de Plutão, como seu percurso é mais variado, devido à sua órbita excêntrica (de 13 a 32 anos por signo), uma pessoa que viver 80 anos viverá seu trânsito, provavelmente apenas em 5 casas, talvez parte de uma 6a. Mas é aí que está a parte interessante desta questão. Como nós astrólogos sabemos que Netuno e Plutão, em boa parte do século passado ficaram em sêxtil, verificamos que as pessoas nascidas a partir de 1.930 foram (e eventualmente estão sendo) marcadas pela presença desses planetas, desde Virgem até Aquário (Netuno) e de Câncer a Sagitário (Plutão), o que configura então um tipo de influência em mais de uma geração (considerada a cada 30 anos). É por isso que muitos falam “a geração de Plutão em Leão” (nascidos de 1940 a 1958)”, “de Plutão em Virgem” (nascidos de 1958 a 1972), “de Plutão em Libra” (nascidos de 1972 a 1984).

É claro que cada uma dessas “gerações” teve conotações diferentes trazidas por Netuno, mas um estudo mais aprofundado requereria um espaço maior do que o de um artigo como este…

Falando de outro ponto de vista, é fácil de se ver, num mapa natal, que os trânsitos mais marcantes desses planetas, ao longo da maior parte da vida adulta de uma pessoa, “marca” predominantemente um quadrante do mapa natal, do que resulta que, numa primeira “vista d’olhos” num mapa, podemos detectar onde (em que setores) sua influência predomina(rá): por exemplo, uma pessoa que tem tido tais trânsitos destacados nas Casas 4, 5 e 6, teve, tem tido ou terá mais salientes os setores da família/ segurança emocional (4), auto-estima/filhos/criatividade/ paixões (5) e trabalho/serviço/saúde (6).

Ressalto ainda o fato de que a turma que nasceu em torno de 1961/62, — e que portanto esteve ou está “enfrentando” a oposição de Urano – ao nascer teve Netuno em Escorpião e Plutão em Virgem, em sêxtil, o que significa que todos vieram com habilidade para perseguir valores espirituais, enfrentar a batalha entre os desejos materiais e os espirituais, dando mais valor à regeneração do que à estagnação e podendo, portanto, desempenhar um papel transformativo no mundo, através de um poder discriminativo maior e dando importância à saúde no sentido amplo – ou partindo para a fuga em direção às drogas, ao “easy way out”.

Quem nasceu em 1961 (exceto em novembro), ou até 9 de agosto de 1962, teve ainda Urano em Leão e teve a oposição recentemente. Urano em Leão ressente a autoridade, transmite a necessidade da liberdade de expressão individual, da criatividade individual; tal turma (de um modo geral) sente revolta contra os padrões estabelecidos, mas precisa entender que isso não basta, que é preciso oferecer alternativas que representem uma melhoria para o sistema, e que será somente através de esforços combinados que se poderá restaurar a sinceridade de propósitos, a honestidade e a responsabilidade moral, a todos os níveis do poder público.

É claro que a posição no mapa natal de cada um depende da posição do Ascendente, podendo tais planetas caírem em qualquer quadrante. Entretanto, abstraída essa questão, e considerando as posições genéricas citadas desses três planetas chamados “exteriores”, eu diria que é uma turma forte, que agora, com Plutão transitando Sagitário, pode desempenhar um papel importante na luta por valores justos, corretos, honestos, — e contra a corrupção em qualquer nível (desculpem a repetição).

Na análise dos ciclos de Júpiter, como são mais rápidos, costumo considerar apenas cada ciclo completo; no caso de Saturno, são mais salientes as oposições e os retornos (voltas ao mesmo ponto), mas às vezes se levam em conta também as quadraturas; e, no caso de Urano, é considerada mais saliente a oposição, que costuma ocorrer entre os 38 e os 41 anos de idade da pessoa.

2. Os ciclos de Júpiter

Júpiter é tradicionalmente conhecido como o “grande benéfico” (o outro sendo Vênus), e na Astrologia clássica é tido como acarretando sobretudo o que é bom; de fato, um trânsito de Júpiter usualmente é bastante agradável e freqüentemente benéfico: a vida parece fluir mais facilmente, e qualquer coisa que você pretenda fazer, usualmente atinge o sucesso que objetivou.

Num nível mais fundamental, Júpiter significa a expansão individual, para incluir mais e mais do Universo e sua experimentação, na esfera de cada um; é o planeta do crescimento, da expansão, do aumento das coisas. Por outro lado, num nível trivial, Júpiter muitas vezes só aumentará alguma coisa ou tornará uma ação grandiosa ou exagerada. O efeito da energia de Júpiter na sua vida pode ir desde fazer você ganhar peso, até expandir seu mental e sua consciência.

Júpiter também tem uma dimensão social, porque é vinculado com o ‘fator adesivo’ que junta as coisas, e é por isso que rege as leis e o sistema legislativo, assim como as pessoas no poder e os oficiais do governo, uma função que compartilha com o Sol. Uma manifestação negativa de certos trânsitos de Júpiter pode ser ‘problemas com a lei’.

A Casa (ou setor) em que Júpiter está no seu mapa natal pode indicar quais são seus ‘dons’, seus talentos natos e onde tem facilidade para obter coisas. A Casa em que está transitando indica mais a área da vida na qual você está tentando crescer e os meios pelos quais está fazendo isso. O processo pode ser um crescimento necessário e merecido, que faz de você uma pessoa mais sábia e com mais sucesso, ou pode ser um crescimento patológico – se você está tentando conseguir algo em excesso, ou ir longe demais nesse setor. Ou seja, é importante evitar obter mais do que você merece, sobretudo por ocasião das quadraturas ou oposições, quando você estará mais propenso a isso. A lei de conservação universal das energias diz que a pessoa pode transformar as energias em sua vida, mas que não conseguirá criá-las do nada, e portanto deve compreender que deve doar tanto quanto espera receber…

Júpiter também significa os aspectos mais elevados de sua vida – sua visão global da vida (o significado da vida), suas atitudes em relação a religião e crenças, e seu senso de idealismo.

Conforme mencionei na Introdução, os trânsitos mais comentados de Júpiter são os retornos, que ocorrem aproximadamente a cada 12 anos, já que ele demora esse tempo para dar a volta no Zodíaco, o que significa que leva cerca de um ano (em média) para percorrer cada signo. Assim sendo, Júpiter em trânsito faz conjunção com o Júpiter natal, aos 12, 24, 36, 48, 60, 72 e 84 anos, etc. — indicando geralmente o começo de um novo ciclo de crescimento e progresso; para os menos avisados, pode acontecer o foco de expectativas exageradas. Destaco, então, alguns comentários específicos a respeito desses retornos, exceto o de 84 anos:

a) aos 12 anos = é quando a criança percebe que está deixando de ser ‘criança’ e está entrando na adolescência (usualmente considerada dos 13 aos 19 anos); normalmente, a criança experimenta uma expansão, no sentido de que percebe mais o mundo à sua volta (não só sua família, seus colegas de escola, seus amigos mais próximos), e também passa pela experiência das transformações hormonais (maior produção de hormônios, acentuando as características do sexo masculino ou feminino) e por isso começa a desafiar as estruturas de autoridade tanto em casa quanto na escola, porque tem um pouco a impressão de que ‘pode’ tudo e mesmo inconscientemente ou subconscientemente provoca essas estruturas (dependendo do mapa astral, às vezes com excessos). É comum a criança experimentar uma expansão do mental, que lhe dá a impressão (correta) de que o saber não ocupa lugar, — começando então a manifestar seus interesses em termos de estudo, carreira, etc., com mais concernimento. Ressalva: nesta época, o desafio da autoridade pode ser uma experimentação; por ocasião dos 14,5 anos (primeira oposição de Saturno), geralmente é uma confrontação (v. ciclos de Saturno).

b) aos 24 anos = é quando o jovem normalmente já concluiu seus estudos e já entrou (ou está entrando) no mercado de trabalho, sentindo uma ‘nova onda energética’ de expansão, desta vez acentuadamente no mundo material, porque percebe mais claramente que já é adulto, mas que, para marcar sua posição no mundo, precisa ‘consegui-la’ através do esforço da realização individual; isso significa que essa onde de expansão precisa sedimentar… Entretanto, nessa época, acontece bastante que o jovem faça mais exigências do que, digamos assim, merece, em termos de indivíduo inserido num contexto familiar, grupal ou social. O que significa, então, que o sucesso dependerá de como se coloque no mundo, de seu concernimento com o mundo que o cerca (da sedimentação); sementes mal plantadas poderão resultar em frutos mal colhidos no futuro, em outros ciclos.

c) aos 36 anos = é quando o adulto, possivelmente amadurecido (v. os ciclos de Saturno), provavelmente já se casou, já constituiu família, — muitas pessoas já têm filhos, — e é então bafejado por uma nova onda energética de expansão, tendo ímpetos de fazer crescer sua atividade profissional ou sua(s) empresa(s), adquirir nova(s) propriedade(s), realizar sonhos materiais postergados devido à dedicação à formação e especialização educacional e à constituição de família. Muitas pessoas se dedicam à política a partir desta ocasião. Ela pode indicar o início de um ciclo de consolidação da individualidade e da realização material.

d) aos 48 anos = o adulto já passou pelo ciclo da oposição de Urano, e também por uma importante quadratura de Saturno (por volta dos 44 anos, quando começou este desafio) e nesta altura de sua vida sente necessidade de ampliar seus horizontes. Muitos já têm filhos criados e decidem retomar os estudos (ou mesmo uma segunda formação universitária), galgar postos de chefia, de diretoria, de político mais poderoso. A onda de expansão aqui tem mais a ver com a expansão do círculo de poder, influência, realização e satisfação pessoal.

e) aos 60 anos = esta idade representa uma das mais importantes dos ciclos planetários, pois há a interpretação de que, do ponto de vista das progressões secundárias, todos os planetas fazem o ângulo de 60º (sêxtil) com os respectivos planetas natais, acentuando portanto todas as características natas da pessoa. Se essa acentuação é mais positiva (o mais comum) do que negativa, depende do mapa natal de cada um. A pessoa então já passou pelo importante segundo retorno de Saturno, quando deve ter feito um balanço de sua vida e de suas realizações até então, vendo descortinar-se à sua frente um futuro com um outro nível de possibilidades, sejam materiais ou espirituais, dependendo, novamente, do seu mapa natal.

f) aos 72 anos = muitas pessoas têm a oportunidade de acentuar ainda mais as possibilidades apontadas no retorno dos 60 anos, já admitindo que sua existência atual caminha para um fim, que pode ou não estar próximo, mas que dificilmente se situará acima de 20 anos; ou seja, poucos têm então a expectativa de atingir 90 anos. E, portanto, a tendência é de que se dediquem tão-somente a acentuar suas realizações, em que nível forem.

No Brasil, onde a idade para aposentadoria não era estabelecida até recentemente, muitas pessoas vinham se aposentando mesmo antes dos 50 anos, a maioria, creio eu, tendo esta oportunidade por volta dos 60 anos (sobretudo os homens, já que as mulheres em muitos setores têm podido se aposentar com 25 anos de trabalho).

Complementando o que foi dito acima, para aqueles que se vêem aposentados aos 60 anos, e sem obrigações maiores com filhos e netos, ou parentes próximos de quem devam cuidar, abrem-se as oportunidades para um outro nível de expansão interior, através de estudos esotéricos mais aprofundados, da prática da meditação e/ou até a literatura, seja como leitores, seja como escritores (é o caso do José Saramago, p.ex., que atingiu o sucesso após os 60 anos). Por outro lado, muitos, quando têm as condições materiais necessárias, preferem viajar e desvendar novos horizontes através do conhecimento de outras culturas…

Finalmente, devo salientar que os trânsitos de Júpiter e Saturno adquirem um significado mais interessante quando examinados em conjunto, porquanto Júpiter simboliza basicamente a expansão e Saturno a limitação. E a oposição de Urano se insere entre um retorno de Júpiter (aos 36 anos) e uma importante quadratura de Saturno (aos 44 anos)…

Marco Aurélio Teixeira Fernandes

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