Assessoria Astrológica Personalizada

Os ciclos na Astrologia – Segunda parte

3. Os ciclos de Saturno

Saturno é talvez o mais importante dos planetas para se examinar nos trânsitos, porque representa o modo e a forma como você vê e experimenta o Universo, em função da estrutura que você deu a ele. A localização de Saturno em trânsito, no seu mapa, indica o setor de sua vida que está sendo examinado e testado nessa época. A Casa em que Saturno está representa as áreas de maior tensão em sua vida, para as quais você deve direcionar uma atenção maior. Os planetas sobre os quais Saturno transita no seu mapa natal representam as energias em sua vida que estão sendo desafiadas e os padrões de comportamento que pedem uma revisão maior.

A maioria das pessoas experimenta os trânsitos de Saturno, como se este planeta fosse uma força exterior, que estaria completamente fora de controle; freqüentemente, um trânsito de Saturno parece resultado do destino, e usualmente um destino desagradável. Mas você deve entender que Saturno representa o modo como você programa seu universo no nível mais profundo e fundamental. Conseqüentemente, a energia de um trânsito de Saturno nunca é verdadeiramente externa, porque a sua mente consciente evita a responsabilidade pelo que está acontecendo, e assim a mente inconsciente toma o controle, programando o acontecimento inconscientemente. Então, você não sofre os efeitos até que o mundo exterior reaja e um acontecimento “destinado” a você ocorra, o qual não é nada mais do que o Universo respondendo às suas próprias ações.

Não importa quão desagradável um trânsito de Saturno possa parecer quando analisado, ele representa aquilo que você realmente quer na vida e está ajudando você a consegui-lo. Muitas pessoas desconhecem o que realmente querem; se você entende perfeitamente seus desejos e necessidades, descobrirá que Saturno simplesmente concretiza a manifestação deles. As “perdas” que Saturno traz são de coisas que você não quer ou das quais não necessita; não importa quanto pense que as quer, desapegue-se delas, especialmente dos relacionamentos que Saturno possa terminar.

Quando Saturno transita por uma Casa, você deve prestar muita atenção aos assuntos dessa Casa; não é um sinal de que tudo nessa Casa está indo mal, mas você deve direcionar sua consciência para esse setor e descobrir como deveria se relacionar com tais assuntos. Se está numa boa situação, que seja apropriada nesta época de sua vida, o trânsito dará consistência e estruturará tal setor para você. Se não está numa boa situação, Saturno trará grandes mudanças, que serão desagradáveis, sobretudo na medida em que você resistir a elas. Saturno, entre outras coisas, representa o “mestre interior”, que nos ensina o que realmente somos.

Antes, porém, de destacar os diversos comentários, ressalto que, ao fazê-los, estarei tendo como referência a grande massa de nossa sociedade, representada pela classe média, — aqui configurada como aquela das pessoas que estão inseridas no contexto de trabalho e formação cultural e educacional da sociedade, — sem querer entrar no mérito da difícil conjuntura atual.

Dentro desse contexto, é preciso lembrar que muitos de nós estudamos e vivemos o que se configurou como uma revisão nos padrões da educação de filhos, enfocada pelos sistemas pedagógicos vigentes nas décadas de 60 e 70 e destacada em dois dos livros então muito discutidos, chamados “Liberdade sem medo”e “Liberdade sem excesso”, e que fomos testemunhas das grandes mudanças trazidas pela chamada revolução sexual em particular e dos costumes em geral que então ocorreram. Na década de 90 e na atual, assoladas pelo consumismo e pela globalização, ainda não conseguimos ter tão claros como gostaríamos, os padrões a serem transmitidos a nossos filhos (e /ou netos), enquanto ficamos torcendo para que não se percam neste mundo em transformação, cujos apelos exteriores ligados ao mundo da ilusão – onde a Internet adquire todos os coloridos mágicos possíveis, — são ostensivamente mais fortes do que os interiores.

Assim sendo, necessariamente, as crises de experiências vinculadas com o estabelecimento, sedimentação e amadurecimento dos limites, responsabilidades e objetivos na vida, trazidos por Saturno, diferem atualmente bastante daquelas que nós mesmos vivemos e enfrentamos naquelas décadas.

Coloco esse contexto de referência porque decidi que os comentários a seguir, neste artigo, — que, para ser considerado como tal, não pode ter a profundidade propiciada por um livro específico, — possam nos lembrar de nossas experiências, mas, ao mesmo tempo, também ser encaixados para auxiliar nossas reflexões quando transportados para nossos filhos (e/ou netos).

Os principais trânsitos de Saturno que são estudados são as oposições e os retornos, conforme abaixo; as quadraturas (‘crescentes’, aproximadamente aos 7, 37 e 66 anos; as ‘decrescentes’ aos 22, 51,5 e 80 anos) devem ser encaradas como períodos intermediários entre os outros trânsitos, representando, de qualquer forma, períodos críticos e de desafios das responsabilidades pessoais.

Então, tenho a dizer o seguinte, sobre os principais trânsitos =

a) aos 14,5 anos – primeira oposição = é quando o adolescente, tendo vivido a expansão propiciada pelo primeiro retorno de Júpiter, aos 12 anos, se vê agora diante da primeira grande confrontação com o mundo exterior, que tem a ver com experiências necessárias sobretudo para o estabelecimento de limites, no presente, para que possa se capacitar para estabelecer responsabilidades e objetivos em sua vida futura. O grupo familiar e a escola constituem o “campo de batalha”, o destaque maior das experiências se dando em função do mapa natal de cada um. De qualquer maneira, é nesta ocasião que são plantadas as sementes do amadurecimento da pessoa. A liberdade de expressão individual, – desde as trivialidades da convivência familiar, até as incertezas e inseguranças trazidas pelas experiências sexuais (que podem ter começado anos antes), – é necessariamente confrontada com o mundo exterior, representado pela família, companheiros de estudo e diversão, amigos, namorado(s) e namorada(s), etc. É nesta ocasião que se pode pela primeira vez falar de maneira objetiva em caráter da pessoa, no caso, do adolescente. Se ele será mais seguro, arrojado, assertivo, realizador, ou inseguro, tímido, indeciso e sonhador, está sendo clivado na amálgama de sua personalidade nesta época, que normalmente se estende até os 16/17 anos. O adolescente normalmente já concluiu o estudo fundamental e já definiu (com ou sem a ajuda dos pais) o tipo de ensino médio que abraçou, o que o levou a “pensar no futuro” de uma maneira diferente do que viveu até esta ocasião; é claro que pode ocorrer simplesmente que ele decida “não continuar os estudos”, dedicando-se desde logo a uma profissão artística ou outra qualquer. Ou ainda ficar anos perdido no mundo da ilusão, neste caso provavelmente dominado por alguma droga, seja o álcool ou outra mais forte, hoje em dia tão presente nas escolas… Em outras palavras, é a época em que os valores pessoais passam do contexto do grupo para o do indivíduo, e as palavras “escolha” e “decisão” precisam deixar de representar signos exteriores e serem vividas mais conscientemente. A quantidade de adolescentes que têm tido filhos nesta ocasião, reflete claramente a crise que temos vivido, da falta de valores interiores, de forma que eles precisam sentir (é claro que como resultado de pulsões subconscientes), através de ‘algo’ exterior incontestável, – no caso um ser humano produto de si mesmos, – que são pessoas, indivíduos.

b) aos 29 anos – primeiro retorno (conjunção com Saturno natal) = após uma crise aos 22 anos (de uma quadratura de Saturno) e outra vivência aos 24 anos (do segundo retorno de Júpiter), a pessoa chega à “idade da razão”, configurada por uma crise de amadurecimento que vai, digamos, dos 28 aos 33 anos de idade. Tendo ou não completado uma formação educacional – e eventualmente se especializado, – e abraçado uma atividade profissional, uma carreira, a pessoa se vê confrontada com a necessidade de estabelecer mais claramente suas responsabilidades e objetivos na vida. Muitos já se casaram e até já tiveram filhos. O mundo, através de Saturno, se encarrega de cobrar o resultado do indivíduo exteriorizando suas capacidades, que a esta altura devem estar totalmente desenvolvidas. Capacidade de produzir, trabalhar, ganhar dinheiro, e ter forma individual de expressão, mostrar-se como indivíduo perante outra pessoa (o companheiro ou companheira), o grupo familiar e o grupo social. A pessoa conscientiza que precisa saber administrar a sabedoria adquirida até esta época, através da materialização dos seus recursos e dos seus talentos, e saber administrar o seu tempo. Eu diria que, usualmente, é nesta época que a pessoa, pela primeira vez, tem a noção (embora equivocada) do tempo como uma coisa “exterior” que não depende dela e que ela não domina, que “o tempo passa” e que ela NÃO TEM todo o futuro pela frente, mas, sim, uma vida LIMITADA PELO TEMPO, que ela precisa planejar. As escolhas e decisões (eventualmente ainda não concretizadas) são reconhecidamente mais importantes, mais caracterizadas por duração maior: o casamento, ter filhos, progresso na carreira, realização material. Consciente ou inconscientemente, a pessoa fica inclinada a podar tudo aquilo que não é relevante para sua condição real de ser humano; se o processo for inconsciente, a pessoa pode experimentar uma sensação de perda em relação a tudo que estiver “terminando”, porque este ciclo representa uma época de finalizações e novos começos. Se a pessoa se apega a coisas/pessoas que não são apropriadas para ela, identificará este período como sendo de crise; se se preparou nos anos anteriores, este retorno simplesmente marcará uma época de maior materialização e o começo de novas fases de atividade. Se, entretanto, o amadurecimento se deu de maneira satisfatória, a pessoa não sente as experiências e necessidades como um “peso”, uma carga, mas sim como fatores intrínsecos da existência. Assim sendo, nesta época são plantadas as sementes de uma realização pessoal (material) sem culpa, na medida em que o indivíduo faça as escolhas e tome as decisões de acordo com sua consciência e seu caráter, seu temperamento. É a melhor época possível para se iniciar um trabalho interior, porquanto o mundo exterior usualmente já está plantado, e a pessoa começa a sentir que esse mundo exterior não é suficiente para fazê-la feliz. Novamente, o contato e a identificação maior ou menor com o mundo da ilusão depende do mapa natal de cada um, os 15 anos seguintes podendo ser marcados por uma expansão exagerada no mundo material (e o retorno de Júpiter aos 36 anos estará propiciando isso), ou uma sintonia mais consciente com os dois mundos. A cobrança dos resultados aí implícitos se dará na oposição se Saturno aos 44 anos.

c) aos 44 anos – segunda oposição = após ter passado pela crise da oposição de Urano, aos 40 anos, a pessoa nesta ocasião se vê confrontada com a necessidade de entrar numa nova fase de percepção da vida. As três crises ou vivências anteriores (aos 29,5, aos 36 e aos 40 anos) devem ter sido marcantes e a avaliação dos resultados agora é importante para definir os 15 anos seguintes. Se, com a oposição de Urano, houve mudanças ou rompimentos na família, no casamento, no trabalho, etc., esta ocasião traz as energias necessárias para uma nova sedimentação; se houve atitudes mal planejadas, “erros de cálculo”, falhas, apego excessivo a um padrão de “juventude” por volta dos 40 anos, a pessoa sentirá agora a “crise da meia idade” com um peso maior. Especificamente, como Saturno tem a ver com responsabilidade, a pessoa pode estar vivendo no trabalho um pico de sucesso, que será acompanhado por uma responsabilidade maior. Por outro lado, se as evidências são de que a pessoa não está bem sintonizada no trabalho, haverá demonstrações de dificuldades exteriores (p.ex., verá seus esforços serem bloqueados por colegas ou superiores), o que não deve significar que a pessoa deva se sentir insegura, mas, sim, investir suas energias para encontrar os problemas e resolvê-los, mesmo que isso implique em mudanças radicais. Infelizmente, muitas pessoas não conseguem superar as crises/perdas e em conseqüência, pode acontecer um colapso da saúde, através de um ataque cardíaco (bastante freqüente nesta idade, como resultado de um excesso de auto-exigências), manifestação de diabetes ou hipertensão crônica; considero que o problema do pânico também acontece com freqüência aqui, porque pode resultar das dificuldades da pessoa em confrontar/enfrentar a realidade exterior, numa ocasião em que ainda se sente com saúde física (mas talvez não emocional suficiente). Por outro lado, se os negócios estão tendo resultados positivos, esta ocasião representa o pico do sucesso material, já que a pessoa terá feito o impacto que gostaria de ter feito no mundo; e, nos próximos 14 anos, o mundo lhe mostrará as conseqüências ou frutos do que ela é como pessoa, do que plantou.

d) aos 59 anos – segundo retorno = dependendo de como foi a oposição aos 44,5 anos e a vivência do retorno de Júpiter aos 48 anos, a pessoa terá usufruído uma boa fase de consolidação no mundo material, as mesmas “cobranças” de sintonia ocorridas aos 29,5 anos voltando a acontecer agora, só que numa outra situação exterior. Novamente, a configuração poderá adquirir um caráter mais positivo ou negativo, dependendo de como a pessoa se encaminhou nos últimos 15 anos = se houve mais harmonia para o lado positivo, a pessoa sente que pode se dedicar mais ao seu desenvolvimento espiritual, sem prejuízo de suas atividades no mundo exterior; se houve menos harmonia, a pessoa volta a estar mais sujeita ao acometimento de problemas de saúde, sobretudo estresse, ou um dos outros citados na oposição aos 44,5 anos. Vale ressaltar, entretanto, que, se a falta de paz interior é grande, uma doença (“dis-ease”) de caráter incurável (um câncer maligno, p. ex.) pode surpreender a pessoa. Logo em seguida, a pessoa viverá um retorno importante de Júpiter (aos 60 anos), quando (cf. foi mencionado antes) terá a tendência de fazer uma balanço de sua vida (realizações), vendo descortinar-se um futuro com um outro nível de possibilidades. Se a pessoa não fizer suas escolhas mais “definitivas” nesta ocasião (eu diria, acentuando mais o lado material ou o espiritual), dificilmente o fará após ela. Devemos lembrar que Júpiter, por estar vinculado com “excessos” pode contribuir para que a pessoa tenha perdido o controle dos prazeres sensuais (comidas, bebidas) e/ou sexuais; e que o infarto do miocárdio pode acontecer por uma influência de Júpiter (excesso de sangue) em conjuminância com algum outro planeta, razão por que, novamente, uma análise completa propiciará uma avaliação mais precisa da situação e tendências… Embora seja um assunto muito controvertido, eu diria que é nesta época que a pessoa pode estar se sujeitando mais (pelas suas identificações e estilo de vida) à manifestação de doenças como o “mal de Parkinson” ou “mal de Alzheimer”.

e) aos 73,5 anos – terceira oposição = se a pessoa, por ocasião de mais um retorno de Júpiter, aos 72 anos, se sentiu realizada, esta oposição será benfazeja, porquanto não sentirá a “cobrança do senhor do tempo e do karma”. Viverá o restante de sua vida, – qualquer que seja o tempo que lhe resta, – usufruindo a tranqüilidade e os frutos do que plantou. Caso contrário, a inquietude da “velhice” a acompanhará e ela provavelmente ficará mais dependente do mundo exterior (cuidados do companheiro ou companheira, da família, etc.). Mais uma vez, uma análise completa do mapa (com progressões e trânsitos) poderá mostrar, – ou comprovar, – até que ponto a pessoa estará sujeita às agruras do tempo (perda de memória, de mobilidade física, etc.).

Lembremo-nos de que, para aqueles que a morte representa apenas uma passagem, a última etapa da vida (que estou situando a partir dos 70 anos) pode ser muito gratificante, em termos de preparação para essa passagem.

Finalmente, NÃO ESQUEÇA QUE ENVELHECER É OBRIGATÓRIO; AMADURECER É OPCIONAL.

Em tempo: – é lamentável que em português não haja um verbo menos marcante para a fase do envelhecimento, que em inglês se usa como “aging”, que se vincula apenas com ganho de idade; – peço encarecidamente que você considere que não é possível generalizar tudo o que comentei, inclusive pelo fato de que há diferenças sensíveis entre o “aging” do homem e da mulher, que varia conforme a fase da vida; eu diria que a mulher usualmente amadurece primeiro, mas também envelhece primeiro, sobretudo no que diz respeito às influências de Saturno (pele e ossos incluídos); – muitas variações que se possam notar nas influências de Saturno dizem respeito não só ao signo do nativo (Capricórnio costuma ‘envelhecer’ mais lentamente, ou mostrar menos as marcas do tempo), mas também à ocorrência de retrogradações (v. Perguntas e Respostas).

Marco Aurélio Teixeira Fernandes

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