Assessoria Astrológica Personalizada

Os ciclos na Astrologia – Terceira parte

4. Os ciclos de Urano

A primeira coisa a salientar é que, nas épocas em que Urano fica mais ‘saliente’ por trânsito, a pessoa normalmente passa por acontecimentos diferentes daqueles de sua rotina usual, podendo ser preocupantes, repentinos e não esperados. O que mais se sugere é que a pessoa “espere o inesperado’. Os trânsitos de Urano não são maléficos no sentido tradicional, exceto se a pessoa não estiver disposta a aceitar o novo e eventuais mudanças em sua vida. Esse planeta desafia as estruturas rígidas na vida, que a maioria das pessoas se empenha tanto em construir. Muitas pessoas valorizam tanto a previsibilidade e a regularidade, que chegam a sacrificar a satisfação pessoal para preservá-las. Pensem nos casamentos infelizes que continuam, somente porque ambos os parceiros têm medo da insegurança que a separação traria.

Essas características básicas podem ser aplicadas aos trânsitos de Urano pelas Casas do mapa natal, bem como ‘em cima’ dos planetas da pessoa, considerando-se sempre, é claro, as características específicas em cada caso.

Entretanto, a oposição de Urano a Urano natal é mais forte, normalmente chegando a representar um dos mais importantes trânsitos na vida da pessoa e marcando um período de transição maior. Normalmente, acontece dos 38 aos 41 anos, variando em função de a pessoa ter ou não Urano retrógrado no mapa natal e ter ou não o trânsito ‘com retrogradação’ (v. também Perfuntas e Respostas).

Este trânsito é identificado como sendo aquela crise da ‘meia idade’, quando a pessoa tem de se confrontar com constatações que podem não ser agradáveis. Em primeiro lugar, a pessoa percebe que ainda não é velha, mas que também não é mais jovem. Além disso, ela se coloca questões a respeito de suas realizações até o momento (por exemplo, se foram adequadas), inclusive se está satisfeita com seus relacionamentos, seu eventual casamento, sua atividade profissional.

Muitas pessoas, quando passam por essa oposição, descobrem de repente que a resposta para tais questões é negativa, e quando isso acontece, a pessoa sente uma certa urgência (o tempo urge!), como se ela tivesse pouco tempo para consertar ou corrigir o(s) problema(s). Conseqüentemente, a pessoa pode começar a agir meio depressa e apelando para rompimentos não planejados ou esperados, decidindo por uma separação no casamento ou sociedade empresarial, deixando um trabalho que parecia seguro e até adotando um estilo de vida completamente diferente do que vinha tendo.

As atitudes da pessoa podem surpreender (e mesmo chocar) até os parentes e os amigos mais próximos, inclusive pelo fato de que ela começa a preferir a companhia de pessoas mais jovens, que lhe parecem mais ‘arejadas’, já que a juventude é um símbolo das oportunidades que talvez sinta que desperdiçou. E a pessoa de alguma forma ‘sente’ que as oportunidades que está enxergando nessa ocasião podem ser as últimas!

Mas pode acontecer também que a pessoa não tome decisões drásticas, se aproveitou bem as oportunidades que tenha tido antes e não permitiu que sua vida se tornasse prematuramente rígida ou ‘de pessoa velha’. Nesse caso, terá a verdadeira experiência do significado desta oposição, qual seja o auge do direcionamento que sua vida tomou (desde a adolescência) e a mudança de direção apontando para os aspectos que deverá confrontar quando tiver mais idade, digamos, depois dos 50 anos.

Cada período da vida tem funções específicas, sendo que antes desta oposição — que podemos dizer que configura a metade de uma vida, — normalmente a pessoa confrontou o mundo exterior, provocou um impacto nele e aprendeu tudo o que quis a respeito dele. Durante a segunda metade de sua vida, a pessoa sente um apelo para se voltar para o seu mundo interior e começar a colher as conseqüências do que encontrou e fez na primeira metade. De agora em diante, a pessoa talvez procure aproveitar suas experiências mais para o mundo interior, com o objetivo de se sentir melhor como indivíduo: refletirá mais sobre o significado da vida, de suas relações, do seu trabalho, etc.

Se a pessoa teve sucesso nos seus contatos com o mundo até então, continuará a tê-lo, mas a partir dessa ocasião será mais exigente quanto aos significados das ‘suas coisas’, os quais deverão satisfazer sua percepção momentaneamente mais aguçada. Então, a pessoa pode se sentir incapaz de viver dedicada somente a um propósito exterior, um casamento sem vida, um trabalho ou atividade profissional vinculada apenas ao dinheiro (conquanto aqui no Brasil e atualmente, este assunto seja bastante delicado), pois tem uma certa intuição da inquietude provocada pelo ‘vazio interior’.

5. Comentários finais

Tudo começou com a idéia de se escrever sobre a oposição de Urano, que alguns interessados estão vivendo nesta ocasião. Entretanto, achei que tal análise ficaria muito solta, já que essa oposição se situa entre uma vivência importante de Júpiter aos 36 anos, e uma oposição importante de Saturno por volta dos 44 anos… Então, considerei interessante transmitir algo mais extenso, pelo menos sobre a dinâmica transmitida pelos planetas de Júpiter em diante – e o artigo acabou ficando como ficou, levando-me inclusive a estas conclusões.

É claro que todos os “planetas” têm seus ciclos, mas o salto maior no tempo orbital se dá de Marte para Júpiter (de cerca de 2 anos para 12), razão por que normalmente não se analisam os ciclos mais rápidos. Entretanto, o ciclo do Sol, o grande luminar, é bastante estudado, porque propicia a análise do chamado “retorno solar” (anualmente, quando o Sol passa exatamente pelo ponto em que estava no mapa natal), que se considera simbolizar o ano seguinte (e que geralmente é analisado também em relação com esse mapa natal).

Tendo como referência um enfoque amplo dos ciclos planetários, — do ponto de vista dos desafios, ou seja, das crises propiciadas pelas quadraturas e oposições (excetuado o ciclo de Júpiter, já que considerei apenas seus retornos, para dar um contraponto a esses desafios), — pode-se perceber que ninguém passa incólume por notáveis influências na década dos 40 aos 50 anos, porque então se dá (sempre em termos aproximados) =

40 anos = oposição de Urano a Urano natal 42/43 anos = quadratura de Netuno com Netuno natal 44/45 anos = segunda oposição de Saturno a Saturno natal 45/46 anos = quadratura de Plutão com Plutão natal…

Haja estrutura! Pode-se dizer que quem teve ou tiver boas sintonias ao longo dessa década, chegará aos 50 anos sentindo uma espécie de renascimento (muitos sentem como uma segunda juventude), que ocorre logo após um dos retornos de Júpiter (aos 48 anos); e é por isso que mais adiante falo em redirecionamento…

E então, não poderia deixar de citar Quíron, que considero um planetóide, que para mim tem muito significado, e cuja órbita se situa entre a de Saturno e a de Urano, constituindo basicamente uma “ponte” entre ambos e cujo ciclo (retorno) se dá por volta dos 51,5 anos da pessoa; como sua órbita é bastante excêntrica e segue uma elipse, passa muito mais tempo em alguns signos do que em outros, razão por que suas quadraturas e oposições variam muito em percurso (tempo), dependendo do “lado”do Zodíaco em que se encontra (mas não vou mencionar indicações a respeito delas, porque seria muito extenso).

Assim sendo, do ponto de vista da “cura”do ser humano, a “chacoalhada” final (‘esticando aquela década para 11,5 anos) se dá com esse retorno de Quíron…Em seu ótimo livro “Quíron e a jornada em busca da cura”, Melanie Reinhart considera que “a configuração de Quíron quase sempre descreve o tipo de conexão existente entre o indivíduo e seu sofrimento interno, bem como um caminho passível de levá-lo à cura… e também descreve a natureza da cura que a pessoa pode oferecer aos outros. Essa faculdade é observada quer a pessoa trabalhe ou não profissionalmente no campo da cura, porquanto se trata mais de uma qualidade natural, de uma emanação, do que de uma técnica aprendida”. Ela considera que Quíron pode manifestar a sombra, em termos psicológicos (aquilo que está “atrás” ou “por baixo” de nossa percepção consciente), e que esta “é amiúde projetada nos outros e revelada por uma forte ‘carga’ emocional ou reação incontrolável diante de certa pessoa, de um sistema de crenças ou de um grupo racial”. E que “não existe um único fator astrológico que represente a sombra; qualquer parte do mapa pode indicar qualidades que estão reprimidas ou inconscientes e, portanto, aparentemente ausentes”. Desta forma, Quíron indica o “curador ferido”, a área onde sentimos medo (o que também é representado por Saturno) ou onde sofremos dor ou danos, mas, se processado e compreendido adequadamente, podemos aprender muito com ele. Ou seja, para dissolver nossa dor, podemos desenvolver nossa ‘metade superior’ (dharma) à custa da ‘metade inferior’ (karma), o que nos remete à própria imagem de Quíron, cuja metade superior era representada pelo curador sábio, e a metade inferior, pelo animal ferido.

Finalmente, os chamados nodos lunares (“cabeça e cauda do dragão”) também podem indicar fatores kármicos e, através da sua análise no mapa natal, e dos seus trânsitos, mostrar energias e áreas com problemas e/ou represadas e que devem ser trabalhadas.

À vista de tudo o que foi exposto, é fácil depreender que a análise de um mapa astral, num dado momento da vida da pessoa, — e conforme citado anteriormente, — deve de preferência levar em conta o mapa natal, o mapa progredido (uso o método do arco solar) e os trânsitos, porque só assim se tem um quadro geral e completo da dinâmica dessa pessoa, já que vida alguma é estática (independentemente da própria pessoa).

Para encerrar, espero ter transmitido que as análises do mapa natal e da dinâmica ao longo da vida da pessoa podem desvelar o seu caminho, quer seja apenas exterior (no mundo material), quer seja também no mundo interior (individuação, desenvolvimento e evolução espiritual).

Tendo a referência de Saturno como “senhor do tempo e do karma”, distingo seis fases na vida possível de uma pessoa, – dividida basicamente de acordo com os ciclos de Saturno (cada uma das três frases à direita abrangendo dois ciclos) =

1. até os 15 anos = crescimento (receber a vida) 2. dos 15 aos 30 anos = amadurecimento 3. dos 30 aos 45 anos = compartilhamento (compartilhar a vida) 4. dos 45 aos 60 anos = consolidação/ redirecionamento (interior) 5. dos 60 aos 75 anos = recolhimento (irradiar a vida) 6. dos 75 aos 90 anos = irradiação

Que frase poderia melhor encerrar este meu artigo, do que

“SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO!”….?

Marco Aurélio Teixeira Fernandes

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