Assessoria Astrológica Personalizada

O projeto de vida: uma visão astrológica

Dizem que a roda foi a maior invenção prática da humanidade. Creio que a roda é só uma projeção de algo realmente útil: o Eixo” . Jonas Bee

De que serve uma gota-d’água?

Desde o momento em que despenca da bica, da torneira, da nuvem, até o instante em que se esborracha no chão do planeta, sua existência acontece, sua finalidade se estabelece e é absoluta sob qualquer ponto de vista, seu projeto é claro: cair.

O formato absolutamente aerodinâmico da gota-d’água, talvez uma das formas mais fluídicas que existam – consegue cortar o ar como o mais afiado dos bisturis – define seu projeto existencial, define o ato de cair, simplesmente cair.

Pode parecer efêmera essa existência, viver para cair, existir para cair, obedecer à lei da gravidade pura e simplesmente como se nada mais houvesse para acontecer. Mas é assim que acontece, e talvez seja assim que aconteça com todos nós.

Vivemos, quem sabe,  para seguir uma lei, talvez tão exata e inquestionável quanto a lei da gravidade, talvez tão misteriosa quanto a lei que faz os prótons e elétrons supostamente gravitarem em torno de um núcleo invisível, e vivemos com a precisa duração do intervalo entre o momento em que somos arrancados da nuvem, da bica, da torneira, do útero, da fonte de onde viemos, até o momento único em que nos esborrachamos no encontro com o infinito. Esse é nosso projeto de vida.

A aerodinâmica do corpo que ocupamos, sua constituição, sua forma, definem, como na gota d’água, o projeto de nossa existência, nossa queda em direção ao infinito, nosso recurso absoluto para seguir com a lei que nos conduz.

Temos uma opção fantástica, uma escolha definitiva, dispomos de um recurso que pode fazer com que o projeto de vida tenha um sentido maior: a possibilidade da consciência, a possibilidade de conhecer nosso projeto, compreender nossa finalidade, nos integrarmos à existência não apenas por meio da forma que temos, mas também do conhecimento e da expansão do uso de nossos recursos e qualidades essenciais.

Como uma gota-d’água que sabe ser uma gota-d’água, que se conecta com o significado de sua existência, que compreende sua função no conjunto das forças universais que a originaram. Saber-se uma gota-d’água é mais que poético, é como se apropriar do próprio destino, integrar-se à lei, usufruir plenamente dos recursos que Aquele que nos gerou – a fonte, a nuvem, o útero –  nos concedeu para atendermos a essa finalidade maior, que talvez jamais possamos compreender em sua totalidade.

Pensando no horóscopo, ficamos imaginando para onde a gota d’água cai. Podemos entender que a gota-d’água é como o ascendente, o ponto que marca o projeto de vida, e seu projeto, o da gota, seguir seu destino,  “cair”, e seu formato especial existe em função desse projeto. Tudo muito análogo à função do ascendente no horóscopo.

Somos gotas-d’água lançadas no infinito, em queda até o instante final, com o formato perfeito e adequado à nossa tarefa divina, àquilo para o qual a força universal nos fez existir, equipados e formatados para atender uma determinada função dentro desse eterno movimento de queda que é nossa existência.

Repito a pergunta, cair para onde?

Pensando no horóscopo e sua numeração, será que nosso movimento vital é em direção à Casa XII, seguindo junto com o Sol como o vemos no céu, acompanhando o movimento aparente dos signos e planetas em direção ao nascente? Ou será que seguimos a ordem lógica das casas, 1, 2, 3 etc., como um movimento natural, lógico e compreensível por nossa mente condicionada?

O entendimento desses direcionamentos será aplicável a qualquer condição do horóscopo, seria uma leitura possível e lógica para sabermos para onde a “energia” planetária se dirige, onde ficaria o foco de nosso agir, como ela caminha. Seguirmos os números, a ordem aparente,  é o que a cultura nos ensina e muitas vezes impõe.

Acontece que, de todas as análises que pude fazer, e mesmo quando além da análise me permiti sentir verdadeiramente essa questão, esse movimento,  apenas uma resposta me ocorreu: só pode existir uma direção para onde todas as energias - representadas pelas configurações planetárias – se dirigem, só existe uma direção possível para onde se encaminham os significados do ascendente e de todas as Casas, apenas para um lugar se dirige a gota-d’água em sua queda poética na velocidade de uma vida.

O centro.

Tudo no mapa parece se dirigir para o ponto central do círculo. Não existe necessariamente uma sequência lógica numérica, como propõem tantos autores, iniciando na Casa I e prosseguindo até a XII, marcando o movimento da vida. Isso é uma compreensão apenas, como essa que recebi também é uma compreensão que incorporo agora.

O Centro do horóscopo é o próprio centro de si. É o núcleo para onde todas as energias, toda resultante de nossos atos, todo efeito causado e toda causa geradora se encaminham.

O centro de si mesmo é a grande meta, o projeto, o receptáculo das energias, a pia batismal que recolhe a gota-d’água de cada projeto desencadeado, cada movimento executado na grande dança da existência. É o lugar onde mora o espírito, o olho d’água de onde brota toda existência, onde são gerados a realidade e todos os conceitos e verdades e mentiras e crenças.

Tudo começa ali e termina ali mesmo.

A Casa XII é um campo de projeção psíquica cujo foco é o centro do horóscopo. Ela apenas representa possibilidades criadas pela própria essência da pessoa. O mesmo acontece com os valores simbolizados pela Casa II, pelo passado compreendido através da Casa IV, pela imagem, pelos conceitos, pelos critérios e tudo mais representado por cada uma das Casas do horóscopo. Tudo que fazemos, somos, acreditamos que somos se encaminha para o centro do horóscopo, e ao mesmo tempo, tudo isso é uma manifestação, um reflexo da luz que é emanada a partir desse centro.

Quando nos tornamos esse movimento, quando nos sabemos gota-d’água viva, incorporamos de fato o projeto de nossa existência e passamos a Ser o que temos que ser. Isso se repete para cada uma das Casas, como uma porção de gotas-d’água caindo em direção a um único núcleo, o mesmo que as gerou como uma fonte que produz vapor, que no devido tempo se transforma em gotas. Parece uma reflexão metafísica, mas é na verdade um fato comprovado e confirmado pelo sentir.

Quando assumimos uma relação firme e consciente com nossos recursos naturais, quando nos integramos ao movimento constante da vida, sem julgamento, sem escolhas de conveniência, tanto quanto uma gota-d’água pode ser e fazer, nos tornamos o projeto e aí, nesse instante, cumprimos nosso papel divino, a função real para a qual nascemos e nos destinamos.

Percebo agora outra dimensão do horóscopo. Parece óbvia, mas confesso que não estava sendo até o presente tão óbvia assim. O sentido do centro no mapa.

O fluxo-refluxo energético que sempre reconhecemos ocorrer entre as Casas opostas, Eu – Tu – Eu etc., ocorre apenas no plano da identificação com a realidade aparente. Construção e destruição de valores, passado e futuro, liturgia e conexão divina, etc., todo movimento dual é uma descrição de um processo mental. Absolutamente válida dentro de uma determinada proposta de realidade que dependa da crença na realidade aparente, mas ainda um começo, uma simples semente quando se imagina a possibilidade de uma integração verdadeira consigo mesmo e conseqüentemente com o infinito.

Todas as relações possíveis entre as Casas, ou áreas de experiência, ou campos de projeção psíquica, passam a ser relações casuais e causais, enquanto a verdadeira e maior relação é de cada uma dessas experiências – que evidentemente se integram umas às outras – com o centro do ser, o núcleo gerador de todas as coisas.

Em outras palavras, cada uma das experiências representadas pelas Casas terrestres –- particularmente o Ascendente, que simboliza  o próprio projeto de vida –-  por se encaminharem para o mesmo ponto de fuga (ou ponto de encontro) o centro do indivíduo, o coração, o núcleo de onde tudo emana, é destinada a “regressar”, voltar, cair em direção o centro de onde a energia e o ato que elas representam brotou.

É um verdadeiro processo de “queda”, mas podemos também chamar de entrega, entrega total ao abismo, permitir-se cair indefinidamente em direção ao centro, em direção a si mesmo, que é onde todas as gotas-d’água se concentram e se convertem em vida, se tornam o caminho do infinito.

A carta numero zero do Tarot, o “Louco”,  representando o ponto onde tudo começa e termina, o princípio e o fim do jogo e de todos os jogos, é uma sugestão e uma proposta divina, ela oferece a escolha de se agarrar ao “planalto” da mesmice, da segurança ilusória e da repetição de scripts ou então nos atirarmos, deixar cair nosso ser, aceitar o destino com coragem,  ir de encontro ao nosso centro, nosso self, e desse ponto fluir novamente, no eterno movimento da vida, como faz a gota-d’água.

(Texto de autoria do saudoso Valdenir Benedetti)

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